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Sessenta e quatro

by Luiza Azancot. Average Reading Time: about 3 minutes.

  • Na escola – a tabuada…  8 X 8 = 64
  • Para os esotéricos…   64 =  43  o que representa os quatro elementos na plenitude da sua expansão, isto é, elevados à terceira potência
  • Na China – os 64 hexagramas do I Ching
  • Na India – as 64 formas de Shiva
  • No evangelho de São Lucas – o número de gerações entre Adão e Jesus
  • Para quem joga xadrez – o tabuleiro
  • Mas para as pessoas da minha geração:

Disco   When I’m Sixty Four, uma das músicas do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band dos Beatles. Este disco saiu quando eu era teenager e nessa altura achei a música estranha, nada condizente com o resto das bandas deste álbum psicadélico, como “Lucy in the Sky with Diamonds” or “With a Little Help from my Friends”. Depois percebi que era uma homenagem de Paul McCartney ao pai que devia andar por essa idade.

Aos 16 anos não conseguia vislumbrar a vida 48 anos depois. Se tivesse pensado nisso, o que duvido pois estava entretida com outros interesses, devia achar que era uma idade perto de estar com os pés para a cova. E eis senão quando, mais precisamente há três dias, cheguei a essa meta, e pude dizer I’m Sixty Four.

A letra da cancão não tem nada a ver comigo porque não tenho interrogações relacionais, festejamos hoje o 28 º aniversário de um casamento feliz, tenho imenso cabelo, gosto de cozinhar e de me deitar cedo e não faço tricot. A parte dos netos soa bem – não se chamam Vera, Chuck ou Dave, mas sim Tomás, Teddy, Zach, Alice, Oliver e Isabel ….

Mas o que soa mesmo bem são os versos do poema O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS que pensava ser de autoria do brasileiro Mário de Andrade mas que internet me informa que pode ser do poeta africano, de Rubem Alves, etc… De qualquer maneira é de um poeta. https://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2010/03/23/o-valioso-tempo-dos-maduros-de-mario-de-andrade/

Contei meus anos

E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente Do que já vivi até agora

Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.  E como o poeta a conclusão é

 Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

….

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,

para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias

que nem fazem parte da minha.

Minha alma tem pressa…

 A minha intenção para o futuro alinha-se com a do poeta

… viver ao lado de gente humana,

Muito humana; que sabe rir de seus tropeços,

não se encanta com triunfos,

não se considera eleita antes da hora,

não foge da sua mortalidade.

 Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade…

 Mas para eu própria ser uma pessoa de verdade tenho que pôr de lado a raiva, deixar-me de comparações e julgamentos, largar medos, cortar as amarras da culpa e dar mais abraços, mais amor, ser mais generosa e mais útil aos que precisam.

Astrologicamente falando, por volta dos 64 anos Úrano por trânsito faz uma quadratura a Úrano natal. É uma energia bastante rebelde, “estou-me nas tintas”, não reconheço a autoridade de instituições, quero excitação, sentir-me viva. Não quero ser “um cadáver adiado” (F.Pessoa) preciso de um pouco de loucura e por isso para a semana vou festejar com uma destas! zip Vivam os sessenta e quatro, porque se estiver com os pés na cova é porque a zip line se partiu AHAHAHAHAHAH!

One comment on ‘Sessenta e quatro’

  1. Marta Carreira diz:

    Luiza é a maior!
    beijos

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